De mudança

E eis que em dezembro eu me mudei de novo. Não de cidade, mas de casa. Sendo assim, eu contabilizo em menos de três anos oito mudanças, ou uma mudança a cada aproximadamente 4 meses.

Não sei se a quantidade em  si me torna especialista em alguma coisa, mas o fato é que essa última mudança foi a mais fácil das oito, talvez porque eu tenha adquirido alguma experiência em empacotar e carregar minhas coisas para cima e para baixo.

Eu tentei pensar em várias coisas que poderia fazer com estas minhas recém adquiridas habilidades, mas nenhuma pareceu muito lucrativa ou executável. Entretanto, deixar tanta sabedoria em mudanças guardada assim seria um desperdício.

Sendo assim, vão aí alguns conselhos que você, leitor deste blog, não pediu, mas eu vou dar assim mesmo, porque vai que…, né?

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Impressões de um fim de semana prolongado

Acordar lenta e preguiçosamente, abrir a janela e ficar admirando o céu deitada na cama.

Um livro. Uma xícara de chá. Assistir o céu mudando de cor da varanda.

Horas de conversa animada regadas a café, bolo de fubá e chá de jasmim.

Chuva. Cheiro de grama molhada. O vai e vem de pessoas com seus                                                                                                  guarda-chuvas pretos. Lire la suite

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Pausa-poesia

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seria isso
um poema
sobre brasília?

seria um poema?
seria brasília?

Nicolas Behr, 1980

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A saga de um título eleitoral

Tirei meu título eleitoral em 2000, quando tinha 16 anos. Naquele ano votei para prefeito e vereador. Foi na minha primeira eleição que Marta Suplicy derrotou Paulo Maluf.

De lá para cá nunca tirei meu título da carteira.Muitas vezes eu esqueço o RG ou o cartão o banco, mas o título está sempre lá. Em 2002 eu mandei plastificá-lo, o meu titulo estava um pouco amassado e eu o queria inteiro para votar na minha primeira eleição para presidente da República. Em 2006 consegui convencer os franceses, para assegurar uma entrada gratuita no Louvre, que ele era documento mais do que suficiente para provar minha identidade e idade, mesmo não tendo foto.

Este ano ele era, segundo a decisão do STF, desnecessário, mas eu o apresentei mesmo assim para a mesária, que não deu muita bola.  O documento pode até ter para alguns pouca importância, mas meu título, com 10 anos e 6 eleições nas costas, me relembra das pessoas que lutaram nesse país para que eu pudesse ter esse direito.

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Reflexões dos 27 (e uns dias de atraso)

27 é idade de gente adulta. Gente bem resolvida (ou quase). Gente que tem planos de longo prazo. Gente que tem carro, casa e paga prestação.

Ninguém me disse isso. Ninguém me disse que tinha que ser assim. Eu inventei isso por volta dos meus quinze anos, quando um primo de segundo grau fez 27 anos. Mas meu primo não era bem resolvido, não tinha planos de longo prazo, nem carro, nem casa, nem prestação. Tinha era um cartão de crédito estourado, que o pai ajudava a pagar. Eu não gostava do meu primo.

E pela minha lógica – desenvolvida na sabedoria da minha adolescência – hoje, eu não deveria gostar de mim também.

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A construção do meu feminismo*

Foi em uma sexta-feira. Eu, estagiária-modelo,  já pensava em arrumar minhas coisas para ir embora, pois eram quase 18 horas. Ela chegou desesperada, queria uma separação de corpos. Seu corpo estava todo marcado, manchas roxas no rosto e arranhões. Lire la suite

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Adeus

Era sábado de manhã e eu mal tinha acordado quando fui ler meus emails. Uma mensagem me deu um frio no estômago na hora que a vi. Era uma mensagem esperada, mas que eu torcia para não chegar. Depois de um ano e meio lutando contra um câncer no cérebro, minha querida amiga tinha partido. Seu marido narrava a notícia com a resignação de um homem que havia aprendido a esperar pelo fim.

Lembrei-me das nossas conversas por email. Eu tinha prometido uma visita no ano que vem, como se a vida durasse para sempre. Ela com sua habitual doçura me respondeu que esperava viver para vir ao meu casamento e enfim conhecer o Brasil. Ora, é claro que iria viver, respondi num misto de esperança e de ingenuidade, de quem aos 25 anos prefere ignorar o que lhe foge do controle.

Ela já não podia ignorar. O que lhe fugia do controle era sua própria vida, sua saúde, seus movimentos, sua poesia, sua música. Mas enquanto encarava a morte minha amiga escolheu confiar. Confiar na certeza de que o que lhe fugia do controle não pertencia a ela, mas a seu Pai. Ela em uma das suas últimas mensagem afirmou que não era fácil confiar, e descansar no amor de Deus, mas era necessário.

Antes que eu pudesse perguntar o porquê, ou ainda tentar inventar uma justificativa simplista, lembrei da confiança da minha amiga. E lembrei que confiar implica muitas vezes não entender os motivos. Confiar implica ter o coração como o de Jó, que após perder tudo que tinha afirmou:

« […] o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR. » Jó 1:21b

Hoje seu amigos vão se reunir na cidade onde ela morava nos Estados Unidos para celebrar a sua vida. Eu, de longe, celebro sua vida com uma música que eu adorava ouvir minha amiga cantar ao piano.

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