La foi et le doute

Uma das revistas mais legais que eu encontrei aqui na França foi a « Le monde des religions ». Publicação do jornal « Le monde », essa revista bimensal consegue, num país laico, apresentar de uma forma objetiva, clara, mas também sensível as religiões e espiritualidades da humanidade.

Passando por artigos curiosos que contam a história do povo Samaritano, até grandes discussões teológicas, ela consegue, sem ofender ou excluir ninguém debater o fenômeno religioso.

Quem gostou da idéia aproveite o texto abaixo.

« Quer dizer então que Madre Teresa duvidou da existência de Deus. Durante décadas ela teve a impressão que o céu estava vazio. Essa revelação chocou a muitos. O fato parece estupefante considerando-se as referências constantes que ela fazia à Deus. Contudo, a dúvida não é a negação de Deus – é uma interrogação – e a fé não é uma certeza. Nós confundimos muitas vezes certeza e convicção. A certeza vem de uma evidência sensível e indiscutível (este gato é preto) ou de um conhecimento racional universal (leis da ciência). A fé é uma convicção individual e subjetiva. Ela se assemelha em alguns crentes a uma opinião frouxa ou mesmo uma herança não criticada, e em outros à uma convicção menos ou mais forte. Mas, em todos os casos, ela não pode ser uma certeza sensível ou racional: ninguém terá jamais uma prova certa da existência de Deus. Crer não é saber. Crentes e não crentes terão sempre excelentes argumentos para explicar que Deus existe ou não existe: ninguém conseguirá jamais provar qualquer que seja a hipótese. Como mostrou Kant, a ordem da razão e a da fé são de naturezas diferentes. O ateísmo e a fé se referem à convicção, e cada vez mais pessoas no Ocidente se dizem agnósticas: elas reconhecem não terem nenhuma convicção definitiva sobre essa questão.

Porque não repousa sobre nenhuma evidência sensível (Deus é invisível) nem sobre um conhecimento objetivo, a fé implica necessariamente a dúvida. E o que aparece como paradoxal em princípio, mas que é completamente lógico, é que esta dúvida é proporcionada à intensidade da própria fé. Um crente que adere ligeiramente à idéia da existência de Deus será mais raramente atravessado por dúvidas; nem sua fé, nem suas dúvidas perturbarão sua vida. Ao contrário, um crente que viveu momentos de fé intensos, luminosos, ou mesmo que apoiou toda sua vida sobre a fé, como Madre Teresa, acabará por sentir a ausência de Deus como algo terrivelmente doloroso. A dúvida se tornará uma prova existencial. É o que viveram e descreveram grandes místicos, como Teresa de Lisieux ou João da Cruz quando falaram de « noite obscura » da alma, onde todas as luzes interiores se apagam, deixando o crente na fé mais nua porque não tem nada mais em que se apoiar. João da Cruz explica que é assim que Deus, dando a impressão de se retirar, prova o coração do fiel para o conduzir mais longe no caminho da perfeição do amor. É uma boa explicação teológica. De um ponto de vista racional, exterior à fé, nós podemos muito bem explicar essa crise pelo simples fato que o crente não poderá jamais ter certezas, ter conhecimento objetivo, sobre aquilo que funda o objeto da sua fé, e ele acaba necessariamente por se questionar. A intensidade da sua dúvida será na medida da importância existencial da sua fé.

Existem certos crentes, muito engajados, muito religiosos, que afirmam jamais conhecerem dúvidas: os integristas (fundamentalistas). Mais do que isso, eles fazem da dúvida um fenômeno diabólico. Para eles duvidar é falhar, trair, naufragar no caos. Porque eles constroem, sem razão, a fé como certeza, eles se proíbem interior e socialmente de duvidar. A repressão da dúvida conduz à todo tipo de crispações: intolerância, pontilhismo ritual, rigidez doutrinária, diabolização dos descrentes, fanatismo indo, certas vezes, até uma violência que mata. Os fundamentalistas de todas as religiões se parecem porque eles recusam a dúvida, essa face sombria da fé, que no entanto é seu indispensavel corolário. Madre Teresa reconheceu suas dúvidas, por mais dolorosas que fossem de viver e serem ditas, porque sua fé era animada pelo amor. Os fundamentalistas não acolherão ou admitirão jamais as suas, porque a sua fé está fundada sobre o medo. E o medo proíbe duvidar. »
Frédéric Lenoir

Editorial Novembro – Dezembro 2007 Le Monde des religions

Tradução mal feita por mim.

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Un commentaire pour La foi et le doute

  1. lu girardi dit :

    Amiga…
    Que viagem linda e esse blog, heim???
    Não sabia que vc tinha um blog… a selminha acabou de me passar!!! Adorei… lindo e delicado como vc!!!!vou tentar sempre dar uma espiadinha, ok?
    Bjinhos

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