Eu moro na França e trabalho na Suiça, isso me encaixa numa categoria que os suiços chamam “carinhosamente” de frontaliers, ou seja, aqueles caras que atravessam a fronteira para roubar o emprego deles. Eu e mais um punhado de pessoas que moram na simpática cidadezinha do departamento da Haute-Savoie nos deslocamos todas as manhãs para a Suiça, mais precisamente para Genebra, para trabalhar.

Saio de casa todo dia às 8 da manhã e chego em 10 minutos em outro país. Eu cruzo a fronteira e de repente os croissants tem recheio de queijo, presunto, nutella e praliné, o creme de leite deixa de ser ácido para ser docinho e eu escuto “septante”, “octante” e “nonante” ao invés de “soixante-dix”, “quatre-vingts” e “quatre-vingt-dix”. Nos mercados do lado de lá da fronteira tem fondue, rösti e tudo traduzido em francês, italiano e alemão, do lado de cá da fronteira é bem mais fácil de encontrar baguetes fresquinhas e vinhos franceses baratos.

E eu, nesse vai e vem todo dia, fico com o melhor dos dois mundos.