juin 2009


Pouco tempo depois que cheguei aqui eu comprei um filtro. Uma coisa interessante, é uma jarra, com um filtro no meio e você põe agua da torneira e voilà sai agua filtrada.

Não me lembro onde eu li esses tempos que esse método é melhor para o meio ambiente e economiza mais dinheiro do que ficar comprando garrafas de agua no mercado. Eu gosto dele porque é melhor para minha coluna e eu não preciso sair carregando garrafas de agua do mercado até a minha casa.

O unico pequeno inconveniente é ter que comprar os filtros, que devem ser trocados mensalmentes. Eles geralmente vem em pacotinhos de 3 e quando um dos filtros “vence”, você tem que fazer todo um procedimento de lavagem da garrafa e instalação do novo filtro.

Quando cheguei aqui de volta do Brasil em janeiro, encontrei uma promoção no mercado: 6 filtros pelo preço de 3. Apesar de ter ficado contente com a promoção eu meditei sobre o quanto ainda estava longe para chegar na metade do ano, e quanto ainda faltava para eu ir para casa.Ontem eu tirei o ultimo dos filtros do pacotinho de 6 do meu filtro, cheguei na metade do tempo que me resta na Europa e dentro de 6 meses eu vou estar indo para casa.

Depois de lavar toda a garrafa, secar eu começei o procedimento para instalar o primeiro dos filtros do novo pacote que eu comprei, desta vez sem promoção, com 3 filtros.

Quando esse pacote acabar, eu vou estar indo embora de Paris para outras terras mais frias, mas certamente vou levar meu filtrinho na bagagem.

Quem é que um dia imaginou que a vida podia ser medida em filtros?

papayaSe eu parar para pensar, é verdade que eu nunca tinha visto um papaya em Paris. Mas até ai, papaya não é minha fruta favorita e eu estava rodeada de moranguinhos, framboesas e cerejas.

Porém um dia a vontade chegou. Do nada me deu vontade de comer um café da manhã daqueles de novela, ou igual aqueles que rolam quando eu vou visitar a (ex) casa da melhor amiga ou ainda quando vem visita na minha casa brasileira: pão de queijo, café, suco de laranja feito na hora, pão fresquinho, geléia, manteiga, queijo mussarela, queijo prato, queijo branco, presunto, chocolate quente, rosca doce e é claro mamão papaya.
A vontade em si passou, mas ficou na minha cabeça o tal do mamão papaya. Eu pensei, ora, a proxima vez que eu for no mercado eu compro um papaya é saudavel, é bonitinho e é gostoso. Isso jah faz mais de 20 dias.

Sim, eu fui no mercado um punhado de vezes depois disso o problema é que não achava o dito cujo. Até o presente dia.

Encontrei uma pequena pilha de papayas vindos diretamente do Brasil, logo ao lado do maracuja da Tanzania e em cima da batata doce da Guatemala, na seção de frutas exoticas do mercado. Isso mesmo! Mamão papaya é fruta exotica!

Mas o choque mesmo foi ver que cada um custava a singela quantia de 8 reais.

Tah, eu comprei um para passar a vontade e chega né? Outro soh no Natal.

Quando cheguei no caixa a vendedora passa um tempão olhando para fruta, como se eu tivesse esquecido de pesar. Eu viro com a minha cara desconsolada e digo: Custa 3€, CADA UM. Ela fala: Ah, sim, isso eu sei. Soh nunca tinha visto essa fruta de perto antes. Como chama mesmo?

Eh duro vir de um pais tropical, viu!

Pleno dia dos namorados e foi o meu ultimo dia de aulas na Sciences Po.  Isso não significa que o trabalho acabou, muito longe disso, ainda restam 3 provas orais e um mémoire de 100 paginas para redigir. Mas a minha vida de aluna, por assim, dizer acabou. Chega de aulas, ao menos por um tempo.

Depois de um dia com um exposé matinal logo às 8 horas, uma conferência de dia todo e uma aula no final da tarde eu terminei às 19h15 minha ultima aula na Sciences Po.

As ultimas palavras que a professora de direitos humanos nos disse foram “Je me révolte, donc nous sommes”, uma citação de Camus. Inspirador não?

Mas para ser mais exata a ultima frase dela antes de eu sair da sala de aula foram – com uma caixa de biscoitos na mão: Pega mais um Priscila! Tenho a impressão que a lição que eu vou levar para toda vida vai ser essa: Sempre que tiver a oportunidade pegue mais um biscoito.