janvier 2009


O irmão do meio e a irmã caçula chegaram para visitar essa terça-feira e já estão tendo uma típica experiência parisiense.
E não tem nada a ver com crepe, Torre Eiffel ou Arco do Triunfo (apesar de já termos ido fazer turismo nos respectivos lugares).
No dia em que eles chegaram já tiveram um gostinho, já que devido a uma falha no sistema do RER B (trem que me leva até o aeroporto) eu atrasei quase uma hora para ir pegá-los e ainda tive que ir num trem que mais parecia uma lata de sardinha, pois eles estavam passando com um intervalo de 40 minutos, sendo que geralmente passam com de 7 a 10 minutos de intervalo.
Hoje, estão experienciando a sua primeira greve parisiense. Nada de ônibus ou trem. Alguns metros funcionando e até vôos foram cancelados em protesto a crise mundial e a perda de empregos. O tráfego na cidade se faz em sua maior parte com bicicletas.
Eles, que são meus irmãos e também não sabem andar de bicicleta, estão caminhando pela fria cidade. Eu, já experimentada em greves, resolvi ficar em casa para estudar.rachel-e-andre-paris-053

O Alberto é meu mais antigo amigo em Paris, mas infelizmente ele não sabe disso. Dono de uma pizzaria no Boulevard de Montparnasse, que leva o seu nome, o Alberto fornecia para mim e para a melhor amiga, quando primeiro viemos para Paris em 2006 para estudar francês refeições baratas de quase todo o dia. Simples de serem pedidas (não existe nenhum grande desafio linguístico em pedir uma Marguerita) e saborosas, a pizza do Alberto era quase sempre nossa escolha e ainda nos dava sem pedirmos “une garrafe d’eau”, água potável, de graça, e não ficávamos sem jeito de não pedir bebida nenhuma.

Quando voltamos de novo para Paris, eu e a melhor amiga, um dos nosso primeiro feitos foi ir visitar o Alberto e comer a tão famosa Marguerita, que foieleita por nós uma das pizzas mais decentes de Paris. Ainda por cima descobrimos que a pizzaria não ficava muito longe da igreja que passamos a frequentar…e alguém me diz se tem programa mais perfeito que igreja + pizza?

Com o passar do tempo, levamos amigos que nos visitavam para conhece-lo, o apresentamos para alguns amigos residentes de Paris e até para nativos. Sempre que alguém nos perguntava onde comer uma pizza, a resposta era na simpática pizzaria logo na saída do metro Montparnasse-Bienvinue entre a creperia e o restaurante chinês.

Nós duas, que temos um pouco de criatividade de sobra fomos inventando histórias a respeito do nosso amigo. Como ele tinha vindo da Itália para abrir uma pizzaria, quem era o seu filho (que também trabalhava no restaurante), o porque disso, o porque daquilo. E logo o Alberto se tornou um amigo chegado, mesmo sem saber.

Nessa minha última volta para Paris, depois das férias de Natal, resolvi dar uma passadinha para ver o Alberto para revê-lo e desejar feliz Ano Novo, mas qual não foi a minha surpresa ao descobrir a pizzaria fechada, sem o sinal luminoso verde na porta. Passado o momento de choque, fui me informar na creperia e o simpático senhor me disse: Não se preocupe! Abre de novo no verão…estão ampliando.

Enquanto isso, eu aposto que o Alberto está passando férias na Itália, visitando a mamma.

Seria tão fácil desistir. As pessoas fazem isso todos os dias, põe Deus de lado, deixam Ele para lá. Frustram-se com a religião, com a igreja, com as pessoas que se diziam seus irmãos. Desanimam, não vêem resposta, vêem sofrimento, dor, guerra e desistem.

Para muitos é até uma escolha lógica. É mais fácil, menos doloroso não crer, não esperar.

Para que tentar compreender o que não entendo? Por que buscar um Deus que parece ter abandonado esse mundo faz tempo? Por que confiar se parece existir a chance de se desapontar, de se sentir traído? É mais fácil desistir.

Entretanto, mais de uma vez eu escolhi o mais difícil: amar, servir, adorar, ajoelhar e orar, confiar mesmo quando eu não entendo. Não tem lógica e para muitos não faz o menor sentido, mas é tão claro para mim o porquê. Ele me amou primeiro.

Não, eu não entendo tudo. Aliás, eu não entendo praticamente nada. E eu ainda tenho tantas dúvidas, tanto medo, eu sou tão incapaz de simplesmente confiar. Mas eu escolho continuar seguindo, eu escolho o que parece mais difícil, menos lógico, diante de um amor tão grande, que eu tenho consciência que não merecia.

Eu escolho segui-lo porque Ele também fez a opção menos lógica, mais difícil e me amou e pela sua graça enviou seu Filho para me salvar.

Está todo mundo falando do homem e aparentemente eu vou ter que me render também.

Não eu não acho que o ele vai mudar o mundo. Ainda me lembro que ele é o presidente DOS Estados Unidos, e que vai governar seguindo os interesses do país DELE, aliás ele foi eleito para isso. Mas os primeiros atos do novo presidente são mesmo dignos de nota.

A suspensão dos julgamentos de Guantánamo e o banimento da tortura e de outra “técnicas avançadas” de interrogatório são um grande avanço para o respeito dos direitos humanos no mundo e certamente uma vitória para os ativistas que por anos denunciaram o desrespeito desses direitos na “guerra contra o terror”. Mas como bem lembrou a Penélope, esse “grande avanço” não é nada além do que trazer as coisas de volta para o normal, voltar a respeitar o que nunca deveria ter sido desrespeitado.

Genial o vídeo da Anistia internacional, que não espera muito do novo presidente, mas espera o que todos devíamos esperar, não só dele, mas de todo governo.

Três vezes por semana a moça da limpeza entra aqui no quarto. Moça eu digo para fazer graça, porque se trata de uma senhora já saindo da casa dos 50 e limpeza, eu digo por falta de outro termo porque o conceito francês de limpeza é um tanto quanto distorcido. (Lire la suite…)

Me informou um desses jornais online da vida que a reforma da Língua portuguesa no Brasil já está valendo, mas que ninguém tá muito com vontade de respeitá-la não. Alguns órgãos do governo estão publicando qual dos dois modelos vai seguir, pelo menos até o acordo virar obrigatório.

Esse blog que não tem nem muita certeza de que língua fala se reserva no direito de escrever na forma que quiser…bom, pelo menos até 2012.

É  simples assim, um dia você acorda e está tudo branco. Os pequenos flocos de neve caindo ontem de noite não pareciam suficientes para tanto, mas foram. A paisagem mudou.

Apesar do frio, as pessoas põe seus casacos e saem nas ruas. Mesmo com o vento gelado é possível ver sorrisos. Tudo parece mais leve, mais mágico. A mesma rua de todos os dias está para ser descoberta, coberta de neve.

A vida também tem desses momentos, quando tudo muda e mesmo sem a gente entender o porquê está com um sorriso no rosto. Achando graça na rotina e encantamento na paisagem de sempre.