octobre 2008


Quando temos um certo nível de francês (nível 4) começamos a ter conferências temáticas, ao invés de um simples curso de língua, o que é bem divertido.

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Não sei se o inverno desistiu de chegar, se o verão resolveu recompensar o grande número de dias chuvosos em julho e agosto, ou talvez sejam efeitos do aquecimento global. Mas o fato é : Com um tempo desses quem quer estudar?

Météo à Paris, France

lun.
Ensoleillé dans l'ensemble

19 °C | 27 °C

Uma música para o final de semana. Porque o meu coração já não pode mais deixar de cantar. :)

“Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor, não desamparas os que te buscam”. Sl. 9:10

A choco-suisse não tem nada a ver com a Suiça, e até onde eu sei, nem com o chocolate de lá. Mas ela é uma verdadeira instituição da Sciences Po.

Desconhecida dos marinheiros de primeira viagem ela fica na vitrine da cantina junto com os já famosos croissants e os não tão desconhecidos pain au chocolat e pain au raisan. Ao ver a choco-suisse você fica com água na boca, não tem jeito. O pãozinho bem douradinho de massa folhada recheado de creme e gotas de chocolate é maior que todas as outras patisseries e parece mais apetitoso também.

Você então inocentemente aponta para essa delícia e diz para a moça da cantina: Eu quero aquele ali. Ela olha para você com um olhar compreensivo (é a sua primeira vez!) mas firme: Você quer dizer a choco-suisse? E você afirma que sim, e repete a choco-suisse, para nunca mais errar o nome.

Então você paga a bagatela de 1 euro por aquela que vai ser sua companhia, muitas vezes acompanhada de um café, em muitas manhã e fins de tarde na Sciences Po. Logo você descobre que se chegar às 9h30 acabou de sair uma fornada quentinha, às 4h30 também e dá até um jeitinho de sair no meio da aula para pegar a sua, antes do rush dos intervalos.

Hoje, enquanto eu pegava a última choco-suisse da prateleira da cantina, quase 5h30, a moça me entregou como quem dá um prêmio a alguém e me segredou: Essa semana tivemos que fazer uma fornada extra todo dia e ainda não estavamos dando conta, todo mundo quer uma depois que volta de férias, você é uma menina de sorte de conseguir essa daqui.

E eu saí sorridente, com a minha choco-suisse de volta às aulas, e até deixei a dieta para lá por hoje.

Faz mais de uma semana que eu cheguei e ainda não tinha dado as caras por aqui, e nem foi por culpa da internet, que funcionou logo que eu cheguei. Foi preguiça mesmo, somada a mudança e arrumação, mas enfim preguiça.

Já estou bem instalada em um outro quarto desta vez ao lado da cozinha e um pouquinho menor que o meu ano passado. Os franceses se divertem testando a minha capacidade de adaptação. Mas o fato é que eu consegui encaixar tudo no devido lugar. Também já começaram as aulas que ao que tudo indica vão ser boas, apesar do trabalhinho considerável que vou ter nesses dois semestre.

Mas no fim das contas o que me animou a escrever hoje não foi nenhuma dessas coisas e sim o fato de que tive um dia tipicamente parisiense e não me pareceu estranho (não se preocupem, os bons hábitos de higiene ainda são mantidos!). O dia não envolveu baguetes, bicicletas, boinas, torre eiffel ou algo que o valha.

Na verdade começou cedo, com uma manhã fria e um RER lotado, ao chegar na faculdade tive que discutir com dois guardas que não queria me deixar entrar porque eu ainda não tenho a carteirinha da faculdade apesar de já estar tendo aula. Pouco depois fui enfrentar fila e a burocracia francesa, e fui informada por uma simpática senhora que para fazer o documento que eu queria eu precisava de um outro documento, que na verdade exigia uma cópia do documento que eu estava tentando fazer como pré-requisito (deu para entender a confusão ?). Sai de lá e peguei um sanduíche na boulangerie mais próxima e fui andando e comendo até pegar o ônibus, respondi a pesquisa de opinião da companhia de transportes como se fosse a coisa mais importante do mundo. Passei no mercado pela terceira vez consecutiva na semana, paguei 5 euros por 5 fatias de presunto e comprei mais iogurte do que uma pessoa normal deveria comer. E peguei uma bela chuva acompanhada de vento quando voltava para casa. E achei tudo isso muito normal. Só percebi que não estava em casa e sim em Paris, quando dois turistas japoneses vieram pedir informação de como chegar no Arco do Triunfo.