Dia de chuva

A expectativa. O céu nublado. Será?
Cada qual com sua simpatia explica seus motivos para acreditar: a joanete da senhora dói, o rapaz lavou o carro hoje, a moça viu na previsão do tempo. O vento e o cheiro não costumam enganar.
E de repente todos deslumbrados se aproximam da janela. « Eu sabia… » – repetem, enquanto observam quase como crianças: a primeira chuva depois da seca.

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Para minha amiga Ruth nos seus 27

Querida amiga,

A vida nos deu essa coisa engraçada de fazer aniversário tão pertinho que às vezes esqueço que eu nasci dois anos antes de você. Não que isso seja alguma vantagem. Mas, digamos que esses dois anos de adiantamento, me permitem te contar umas coisinhas, que eu acabei descobrindo antes de você (junto com as rugas).

Por isso, do alto dos meus vinte e nove anos récem completos, te conto algumas coisas que eu queria ter sabido aos vinte e sete:

- As coisas são muito mais simples do que pensamos que são.

- Ter um carro, um emprego, uma casa e prestação para pagar, não quer dizer ter a vida feita.

- Ser bem resolvido é sem graça.

- Nós não somos definidos pela nossa altura, peso, nacionalidade, nem pelo que dizem de nós por aí.

- Nossa família vai sempre ajudar a gente a pagar contas, resolver problemas. E nós vamos ajudá-los, sempre que possível. Eles vão se meter nas nossas  vidas, e nós na deles. Isto é amor, e nada mais.

- A vida é muito mais do que o momento que estamos vivendo, o futuro é imenso. Já vivemos mais de um quarto de século, é verdade, mas ainda faltam três quartos para serem muito bem vividos.

- Ser gente grande é também saber perder. Perder dói, mas não é necessariamente uma coisa ruim.

- Os amigos são a maior dádiva que nós temos, perto ou longe…Se bem, que essa última, eu acho que você já sabia.

Parabéns pelos seus 27. E que venham os meus 30.

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29

Quase 30! Quase…mas isso não me abala muito. Pelo menos, no dia de hoje, não.

Deve ser o fato de você  estar casando, me diz uma amiga. Ou então, por que sua pele está ótima, enfatiza a outra. Ou vai ver é por que está satisfeita profissionalmente.

Mas ainda falta tanta coisa! E mesmo assim, fazer 29 é pura calmaria.

Ora, as rugas virão, assim como as manchas de sol. O casamento virá. Haverá trabalho, desemprego. Alegrias, tristezas. Os filhos virão. As estrias e as celulites também. Haverá sobrepeso e dietas. Nascimentos e mortes. Há tanta vida pela frente. O que são 29 anos, diante dos próximos 29, e mais 29, se Deus assim bem quiser.

Por isso, fazer 29 não me desperta muita angústia. E nem é por tudo o que tenho hoje (e tenho sim, tantas bençãos), mas é por tudo que ainda há de vir.

Todavia, não posso prometer que não terei uma crise dos 30. Ao que parece, cientificamente, nenhuma mulher é imune.

 

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Dos textos não terminados

Encontro um texto inteiro nos meus arquivos, faltando apenas uma conclusão para ser publicado. Ha também arquivos que são apenas um titulo, um fragmento de pensamento que ja não faz sentido. Uma historia que deixou de ser contada e agora não tem mais graça. O emprego novo, que ja parece velho. Minhas reflexões sobre a violência contra a mulher,  que tiveram origem em uma noticia que ficou perdida no tempo. As peripécias de mais uma mudança, que parece ainda não ter terminado. Um aniversario. Um pé engessado. Um presente. Muitas comemorações. Um pedido.

Tantos são os textos inacabados, salvos como rascunho. Esboços da falta de tempo, em um ano que quase chegou ao fim.

E nas promessa de final de ano (ou começo?) estão os textos a serem publicados, com mais frequencia.

Bem-vindo de volta, blog.

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Das despedidas

“Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada;
y hacia donde camines llevarás mi dolor.”  Pablo Neruda

Há despedidas formais, com direito a discurso e aquelas mais simples que terminam com um abraço e um “a gente se vê por aí”. Têm despedidas que não ocorrem e a gente só percebe um tempão depois que se despediu sem saber. Foram tantas nesse meus vinte-e-muitos anos que eu deveria ter me habituado, mas a verdade é que cada uma delas deixa meus olhos irritantemente cheios de lágrimas. Daí eu disfarço, respiro fundo e digo para que eu mesma possa acreditar: vai passar.

Mas com o tempo a gente percebe que as despedidas não se dissipam. Elas vão se somando e cada pessoa faz uma falta diferente. Para rir de uma piada, para enteder aquilo que a gente queria dizer mesmo sem dizer, para fazer um comentário indiscreto, para discussões intermináveis.

E a soma de despedidas se transforma num acumulado de saudades de tantas pessoas diferentes que estão espalhadas por aí. Impossível habituar-se a tanta saudade,  então a gente faz o que pode, manda e-mail, manda cartinha, faz longas ligações via skype, junta um dinheirinho e vai visitar… e faz novos amigos, torcendo  para que estes não partam tão cedo.

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A revolução da Presidenta

« Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. » Dilma Vana Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil.

Você há de convir comigo que eleger uma mulher para Presidência da República de um país, independentemente das suas convicções políticas, é algo notável.
Nós fizemos isso antes de muitos países por aí que se dizem terra de oportunidades ou pátria dos direitos humanos.

E eu acho lindo que a nossa primeira presidenta (isso mesmo, flexionar o gênero não dói e é gramaticalmente correto) ter valorizado isso em todos os seus discursos. Isso me dá a profunda certeza que ela vai lutar para que cada brasileira tenha o direito de ser o que quiser, como quiser, quando quiser, com igualdade de direitos e de oportunidades. « A mulher pode sim. », foi a presidenta que disse.

Independentemente de ser solteira, divorciada, casada com um cara 20 anos mais jovem ou 43 anos mais velho, de ser bonita, feia, ou « normal » – como disse um certo cabelereiro num programa dominical por aí. Sabe por quê? Não importa. O que importa é que essa mulher tenha autonomia para fazer suas escolhas sem ser julgada por isso.

Eu não sou ingênua a ponto de acreditar que a posse da nossa presidenta, há dois dias, mude a situação da mulher no país. O machismo corre solto por aí, os comentários sobre a posse – dos mais malvados aos mais bem intencionados – evidenciam isso.

Mas ter uma mulher presidenta é uma pequena revolução na batalha que nós mulheres lutamos dia-à-dia pela igualdade de gênero.

Uma mulher presidenta é exemplo, mostra que nós podemos chegar aonde quisermos. Ver Dilma subindo a rampa do Palácio do Planalto orgulha e inspira hoje a continuar combatendo em tantas frentes pelos direitos da mulher. Mas a posse da primeira presidenta vai um pouco além, e ajuda a contruir nosso futuro.

Tem coisa mais graciosa de ver uma menina de seis aninhos decidir que vai presidir o país quando crescer? Ela sabe hoje que isso é possível.
Fazer com que as meninas acreditem que podem ser o que quiserem, como quiserem e quando quiserem –muda o Brasil, melhora o Brasil.
E essa revolução minha gente, não tem ninguém que ofusque.

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De mudança

E eis que em dezembro eu me mudei de novo. Não de cidade, mas de casa. Sendo assim, eu contabilizo em menos de três anos oito mudanças, ou uma mudança a cada aproximadamente 4 meses.

Não sei se a quantidade em  si me torna especialista em alguma coisa, mas o fato é que essa última mudança foi a mais fácil das oito, talvez porque eu tenha adquirido alguma experiência em empacotar e carregar minhas coisas para cima e para baixo.

Eu tentei pensar em várias coisas que poderia fazer com estas minhas recém adquiridas habilidades, mas nenhuma pareceu muito lucrativa ou executável. Entretanto, deixar tanta sabedoria em mudanças guardada assim seria um desperdício.

Sendo assim, vão aí alguns conselhos que você, leitor deste blog, não pediu, mas eu vou dar assim mesmo, porque vai que…, né?

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