Dos textos não terminados

Encontro um texto inteiro nos meus arquivos, faltando apenas uma conclusão para ser publicado. Ha também arquivos que são apenas um titulo, um fragmento de pensamento que ja não faz sentido. Uma historia que deixou de ser contada e agora não tem mais graça. O emprego novo, que ja parece velho. Minhas reflexões sobre a violência contra a mulher,  que tiveram origem em uma noticia que ficou perdida no tempo. As peripécias de mais uma mudança, que parece ainda não ter terminado. Um aniversario. Um pé engessado. Um presente. Muitas comemorações. Um pedido.

Tantos são os textos inacabados, salvos como rascunho. Esboços da falta de tempo, em um ano que quase chegou ao fim.

E nas promessa de final de ano (ou começo?) estão os textos a serem publicados, com mais frequencia.

Bem-vindo de volta, blog.

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Das despedidas

“Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada;
y hacia donde camines llevarás mi dolor.”  Pablo Neruda

Há despedidas formais, com direito a discurso e aquelas mais simples que terminam com um abraço e um “a gente se vê por aí”. Têm despedidas que não ocorrem e a gente só percebe um tempão depois que se despediu sem saber. Foram tantas nesse meus vinte-e-muitos anos que eu deveria ter me habituado, mas a verdade é que cada uma delas deixa meus olhos irritantemente cheios de lágrimas. Daí eu disfarço, respiro fundo e digo para que eu mesma possa acreditar: vai passar.

Mas com o tempo a gente percebe que as despedidas não se dissipam. Elas vão se somando e cada pessoa faz uma falta diferente. Para rir de uma piada, para enteder aquilo que a gente queria dizer mesmo sem dizer, para fazer um comentário indiscreto, para discussões intermináveis.

E a soma de despedidas se transforma num acumulado de saudades de tantas pessoas diferentes que estão espalhadas por aí. Impossível habituar-se a tanta saudade,  então a gente faz o que pode, manda e-mail, manda cartinha, faz longas ligações via skype, junta um dinheirinho e vai visitar… e faz novos amigos, torcendo  para que estes não partam tão cedo.

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A revolução da Presidenta

“Pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher.” Dilma Vana Rousseff, Presidenta da República Federativa do Brasil.

Você há de convir comigo que eleger uma mulher para Presidência da República de um país, independentemente das suas convicções políticas, é algo notável.
Nós fizemos isso antes de muitos países por aí que se dizem terra de oportunidades ou pátria dos direitos humanos.

E eu acho lindo que a nossa primeira presidenta (isso mesmo, flexionar o gênero não dói e é gramaticalmente correto) ter valorizado isso em todos os seus discursos. Isso me dá a profunda certeza que ela vai lutar para que cada brasileira tenha o direito de ser o que quiser, como quiser, quando quiser, com igualdade de direitos e de oportunidades. “A mulher pode sim.”, foi a presidenta que disse.

Independentemente de ser solteira, divorciada, casada com um cara 20 anos mais jovem ou 43 anos mais velho, de ser bonita, feia, ou “normal” – como disse um certo cabelereiro num programa dominical por aí. Sabe por quê? Não importa. O que importa é que essa mulher tenha autonomia para fazer suas escolhas sem ser julgada por isso.

Eu não sou ingênua a ponto de acreditar que a posse da nossa presidenta, há dois dias, mude a situação da mulher no país. O machismo corre solto por aí, os comentários sobre a posse – dos mais malvados aos mais bem intencionados – evidenciam isso.

Mas ter uma mulher presidenta é uma pequena revolução na batalha que nós mulheres lutamos dia-à-dia pela igualdade de gênero.

Uma mulher presidenta é exemplo, mostra que nós podemos chegar aonde quisermos. Ver Dilma subindo a rampa do Palácio do Planalto orgulha e inspira hoje a continuar combatendo em tantas frentes pelos direitos da mulher. Mas a posse da primeira presidenta vai um pouco além, e ajuda a contruir nosso futuro.

Tem coisa mais graciosa de ver uma menina de seis aninhos decidir que vai presidir o país quando crescer? Ela sabe hoje que isso é possível.
Fazer com que as meninas acreditem que podem ser o que quiserem, como quiserem e quando quiserem –muda o Brasil, melhora o Brasil.
E essa revolução minha gente, não tem ninguém que ofusque.

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De mudança

E eis que em dezembro eu me mudei de novo. Não de cidade, mas de casa. Sendo assim, eu contabilizo em menos de três anos oito mudanças, ou uma mudança a cada aproximadamente 4 meses.

Não sei se a quantidade em  si me torna especialista em alguma coisa, mas o fato é que essa última mudança foi a mais fácil das oito, talvez porque eu tenha adquirido alguma experiência em empacotar e carregar minhas coisas para cima e para baixo.

Eu tentei pensar em várias coisas que poderia fazer com estas minhas recém adquiridas habilidades, mas nenhuma pareceu muito lucrativa ou executável. Entretanto, deixar tanta sabedoria em mudanças guardada assim seria um desperdício.

Sendo assim, vão aí alguns conselhos que você, leitor deste blog, não pediu, mas eu vou dar assim mesmo, porque vai que…, né?

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Impressões de um fim de semana prolongado

Acordar lenta e preguiçosamente, abrir a janela e ficar admirando o céu deitada na cama.

Um livro. Uma xícara de chá. Assistir o céu mudando de cor da varanda.

Horas de conversa animada regadas a café, bolo de fubá e chá de jasmim.

Chuva. Cheiro de grama molhada. O vai e vem de pessoas com seus                                                                                                  guarda-chuvas pretos. Lire la suite

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Pausa-poesia

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seria isso
um poema
sobre brasília?

seria um poema?
seria brasília?

Nicolas Behr, 1980

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A saga de um título eleitoral

Tirei meu título eleitoral em 2000, quando tinha 16 anos. Naquele ano votei para prefeito e vereador. Foi na minha primeira eleição que Marta Suplicy derrotou Paulo Maluf.

De lá para cá nunca tirei meu título da carteira.Muitas vezes eu esqueço o RG ou o cartão o banco, mas o título está sempre lá. Em 2002 eu mandei plastificá-lo, o meu titulo estava um pouco amassado e eu o queria inteiro para votar na minha primeira eleição para presidente da República. Em 2006 consegui convencer os franceses, para assegurar uma entrada gratuita no Louvre, que ele era documento mais do que suficiente para provar minha identidade e idade, mesmo não tendo foto.

Este ano ele era, segundo a decisão do STF, desnecessário, mas eu o apresentei mesmo assim para a mesária, que não deu muita bola.  O documento pode até ter para alguns pouca importância, mas meu título, com 10 anos e 6 eleições nas costas, me relembra das pessoas que lutaram nesse país para que eu pudesse ter esse direito.

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Reflexões dos 27 (e uns dias de atraso)

27 é idade de gente adulta. Gente bem resolvida (ou quase). Gente que tem planos de longo prazo. Gente que tem carro, casa e paga prestação.

Ninguém me disse isso. Ninguém me disse que tinha que ser assim. Eu inventei isso por volta dos meus quinze anos, quando um primo de segundo grau fez 27 anos. Mas meu primo não era bem resolvido, não tinha planos de longo prazo, nem carro, nem casa, nem prestação. Tinha era um cartão de crédito estourado, que o pai ajudava a pagar. Eu não gostava do meu primo.

E pela minha lógica – desenvolvida na sabedoria da minha adolescência – hoje, eu não deveria gostar de mim também.

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A construção do meu feminismo*

Foi em uma sexta-feira. Eu, estagiária-modelo,  já pensava em arrumar minhas coisas para ir embora, pois eram quase 18 horas. Ela chegou desesperada, queria uma separação de corpos. Seu corpo estava todo marcado, manchas roxas no rosto e arranhões. Lire la suite

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Adeus

Era sábado de manhã e eu mal tinha acordado quando fui ler meus emails. Uma mensagem me deu um frio no estômago na hora que a vi. Era uma mensagem esperada, mas que eu torcia para não chegar. Depois de um ano e meio lutando contra um câncer no cérebro, minha querida amiga tinha partido. Seu marido narrava a notícia com a resignação de um homem que havia aprendido a esperar pelo fim.

Lembrei-me das nossas conversas por email. Eu tinha prometido uma visita no ano que vem, como se a vida durasse para sempre. Ela com sua habitual doçura me respondeu que esperava viver para vir ao meu casamento e enfim conhecer o Brasil. Ora, é claro que iria viver, respondi num misto de esperança e de ingenuidade, de quem aos 25 anos prefere ignorar o que lhe foge do controle.

Ela já não podia ignorar. O que lhe fugia do controle era sua própria vida, sua saúde, seus movimentos, sua poesia, sua música. Mas enquanto encarava a morte minha amiga escolheu confiar. Confiar na certeza de que o que lhe fugia do controle não pertencia a ela, mas a seu Pai. Ela em uma das suas últimas mensagem afirmou que não era fácil confiar, e descansar no amor de Deus, mas era necessário.

Antes que eu pudesse perguntar o porquê, ou ainda tentar inventar uma justificativa simplista, lembrei da confiança da minha amiga. E lembrei que confiar implica muitas vezes não entender os motivos. Confiar implica ter o coração como o de Jó, que após perder tudo que tinha afirmou:

“[...] o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR.” Jó 1:21b

Hoje seu amigos vão se reunir na cidade onde ela morava nos Estados Unidos para celebrar a sua vida. Eu, de longe, celebro sua vida com uma música que eu adorava ouvir minha amiga cantar ao piano.

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